Entidades
capixabas lançam nota de repúdio contra linchamento de jovem negro na Serra
“República
das Bananas” costuma ser um termo usado para países que dependem economicamente
de nações mais ricas e que têm classes sociais bem definidas: uma base
trabalhadora pobre e uma elite, que, apesar de minoria, mantém seu poder
político econômico. A fruta costuma também ser utilizada para hostilizar negros
em episódios de discriminação racial. Desses simbolismos pejorativos, a
banana (apesar de não ter nada a ver com isso) está em alta no momento e, quem
diria, numa suposta luta contra o racismo, depois dos fatos ocorridos no futebol
espanhol envolvendo jogadores brasileiros.
Enquanto a
foto da superestrela Neymar comendo banana tem sido exaltada por famosos e
outros nem tanto e compartilhada excessivamente nas redes sociais em apoio ao
jogador Daniel Alves, colega de time que comeu uma banana jogada por torcedores
europeus, uma causa igualmente ou até mais justa segue em pleno anonimato, aqui
no Estado. O caso do jovem negro capixaba Alailton Ferreira, assassinado
aos 17 anos, num episódio macabro de linchamento com evidentes componentes
racistas, permanece confinado a um debate indignado entre amigos, familiares do
jovem e ativista do movimento negro, sem encontrar eco junto ao governo do
Estado e à mídia.
Ser vítima de
racismo tendo uma conta bancária estratosférica, como as estrelas do
futebol europeu Neymar e Daniel Alves, pode ser até moleza: eles possuem
o prestígio e a fama que a profissão lhes dá para conquistar apoio de famosos e
lançar campanha publicitária milionária. Aqui, entidades ligadas aos movimentos
sociais, aos direitos humanos e ao movimento negro só podem contar com a
solidariedade de quem deseja uma sociedade menos desigual. Daí a razão pela
qual fizeram nota de repúdio contra o linchamento e a omissão do governo do
Estado. As assinaturas de apoio estão sendo recolhidas no site Petição
Pública e, além de endereçada ao governo, também serve de reflexão de toda
sociedade capixaba e brasileira.
Acusado
injustamente por estupro (a própria Polícia alega não haver qualquer indício de
que Alailton, que tinha problemas mentais, praticou o crime), o espancamento,
que aconteceu, na tarde de 6 de abril, no bairro de Vista da Serra II, causou
indignação nacional e até internacional por sua crueldade. Apesar disso, não
passou de mais um fato corriqueiro relatado nas páginas dos jornais do Estado,
sem qualquer reflexão sobre o tema ou campanha de conscientização contra o
racismo patrocinada por entidade pública ou privada.
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1 de maio de 2014
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